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A origem do que hoje chamamos cooperativa tem data marcada: 21 de dezembro de 1844. Nesse dia, 27 tecelões e uma tecelã do bairro de Rochdale, em Manchester, na Inglaterra, fundaram a "Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale".
O que aparentemente parecia apenas um armazém, idealizado para oferecer aos seus associados artigos de primeira necessidade e outros serviços de ordem econômico-social, transformou-se na semente do movimento cooperativista.
Com objetivos claros e eticamente discutidos, esses trabalhadores economizaram, durante doze meses,
É interessante comentar que ao iniciarem seu negócio foram motivo de deboche por parte dos demais comerciantes. Contudo, para surpresa geral, logo no primeiro ano de funcionamento o capital da empresa aumentou para
A sociedade prosperava economicamente, funcionando de forma democrática e exercendo sua função social.
Essa atitude representou uma reação à ganância capitalista que, na época, submetia crianças e mulheres a jornadas de até 16 horas de trabalho. O êxito dessa iniciativa passou a ser um exemplo para outros grupos.
As cooperativas de consumo multiplicaram-se pela Europa de forma tão intensa que em 1881 já existiam cerca de mil sociedades e 550 mil cooperantes.
O cooperativismo evoluiu e conquistou um espaço próprio, definido por uma nova forma de pensar do homem, do trabalho e do desenvolvimento social.
A história demonstrou que, posteriormente, essa prática também manifestou-se como alternativa de organização de trabalho nos países ditos socialistas, os quais, de outra forma, também separavam o trabalhador de seu meio de produção.
Os valores de ajuda mútua e igualdade de direitos e deveres cultivados pelos tecelões ingleses são tão fundamentais que, mesmo passados mais de cem anos, permanecem como o cerne desse movimento que expandiu-se pelo mundo através dos tempos e em diferentes campos da atividade humana.
Por atuar de forma intermediária, onde propriedade não é nem do capitalista nem do Estado, o cooperativismo é aceito por todos os governos e reconhecidos como uma fórmula democrática para a solução de problemas sócio-econômicos.
Unicred Metropolitana - Como tudo começou
Oficialmente, a história da Unicred Metropolitana começou no dia 20 de junho de 1994. No entanto, alguns meses antes, os membros que compõem a atual Diretoria Executiva já estavam engajados na idéia da cooperativa. Algo que custou tempo e aprendizagem.
"Nós não tínhamos nem idéia do que fosse uma cooperativa de crédito. Fomos nomeados pela Unimed de Santos para ir até Goiânia, conhecer uma cooperativa de crédito e saber da possibilidade de fazer uma aqui. Ficamos em uma convenção por dois dias e tudo para nós era grego, mas voltamos entusiasmados, vendo que era possível ser feito. A Unimed nos deu todo o apoio nos primeiros passos", relembra Antonio Fernandes Ventura, Presidente da Unicred Litoral Paulista.
Chegou o momento então de começar as atividades. "Foi em uma pequena sala, na sede da Unimed. Na verdade, a Unicred nasceu dentro da Unimed. Como médicos, não possuíamos experiência bancária, mas ao mesmo tempo, estávamos maravilhados com o resultado de outros. Tínhamos certeza que iria funcionar", relembra Bruno Antonini, Diretor Administrativo.
Nesse primeiro ano, o Banco Central autorizou a Unicred a funcionar em dezembro, mas a estrutura inicial demorou cerca de três meses para ser montada. "Trabalhamos apenas com as três contas dos diretores, muito mais no sentido de testar para ver o que acontecia, já que estávamos com muitas dúvidas", revela Antonini.
Para o Diretor Financeiro, Rui Coelho Pereira, nos primeiros meses houve alguma pressão em torno dos resultados da cooperativa. "O mais complicado naquela época era pegar o dinheiro do cooperado e saber como aplicar. Administrar o trabalho do médico é completamente diferente de administrar o dinheiro do médico. Acredito que esse foi o nosso grande problema no início, pois os médicos não poderiam perder dinheiro e um erro inicial iria destruir o projeto. Nós precisaríamos ter muita cautela porque não poderíamos errar".
Quando chegou à autorização do Banco Central nós estávamos habilitados para funcionar, mas só havia a assembléia, a diretoria eleita e mais nada. Funcionar como? Montamos nossa estrutura e contratamos os primeiros funcionários, em janeiro de 95. Então, com um caixa, um gerente, um tecnólogo e um contador, começamos a fazer testes. Agíamos como clientes e não como diretores, passávamos cheque sem fundo, íamos até São Paulo, depositávamos dinheiro e observávamos a evolução dos fatos. Esta foi uma iniciativa nossa e ficamos cerca de quatro meses atuando dessa forma. Quando nos sentimos em condição, abrimos para os conselheiros. O prejuízo dos primeiros meses ficou para trás e a Unicred deu claros sinais de que não pararia de crescer", conta Antonio Fernandes Ventura.
"Ficávamos preocupados, a princípio, porque não era um ramo de atividade com o qual estávamos acostumados. Então, nós fazíamos a estatística assim: em um determinado mês dava 10 mil de prejuízo; quando abríamos para mais contas começou a dar nove; depois oito; sete. Percebemos que a curva já determinava quando iríamos reverter o prejuízo. Ao final do primeiro exercício a situação já estava equilibrada", explica Bruno Antonini.
"Cada novo cooperado que conseguíamos conquistar era uma grande vitória. Na época, era muito difícil fazer o médico entender que a Unicred era uma instituição voltada para a administração financeira, bastante técnica e profissional, mas tínhamos a certeza que a cooperativa evoluiria bem. Percebíamos isso mês a mês, sempre que entravam novos cooperados, sem sair ninguém", recorda Rui Coelho Pereira.
Estruturação
Passados os primeiros anos de estruturação e até mesmo de divulgação entre os médicos, a Unicred de Santos, mais tarde, Metropolitana e dos profissionais da saúde, atingiu o status de instituição financeira rentável e de confiança. A cooperativa tem hoje uma solidez que chama atenção. "Pode não ser o melhor no sentido de rentabilidade, mas em termos de segurança, é com certeza", explica o Diretor Presidente da Unicred, Antonio Fernandes Ventura.
Ele até dá um exemplo de como na prática isso pode ser verificado. "O que aconteceria com um banco, se surgissem comentários no mercado dizendo que essa instituição não vai bem das pernas e que ela pode ter problemas? Aconteceria aquela corrida dos clientes, ocasionada pela notícia, estourando o banco, como aconteceu no Nacional, no Econômico e no Bamerindus. Poucos bancos no mercado agüentam esse tipo de crise".
Ventura garante que se algo do gênero acontecesse na Unicred, a cooperativa manteria suas atividades normais. "Se nossa cooperativa passasse por essa situação, teríamos condições de realizar todos os pagamentos, centavo por centavo, e continuaríamos funcionando normalmente. Solidez maior que essa não existe. Isto porque o volume dos nossos empréstimos é aproximadamente o mesmo do nosso capital. Nós trabalhamos com o capital e isso precisa ser dito".
O Diretor Presidente cita ainda como exemplo da força da Unicred, o seu incrível potencial para crescer. "A região tem pelo menos 15 mil profissionais da saúde aptos a participar da cooperativa. Portanto, 30% desse total significam 4.500 cooperados. Hoje, estamos chegando na marca dos 4 mil cooperados.
Já Bruno Antonini acredita que a cooperativa chegou a seu atual estágio de forma natural, passo a passo. "Vivemos os momentos e em cada um deles existia um tipo de dificuldade. No início, não sabíamos se a emissão de um cheque sem fundo seria detectada pelo sistema, depois, todos diziam que uma cooperativa de crédito dava lucro, enquanto a nossa apresentava prejuízo, mesmo sendo visível a evolução da Unicred", conta Antonini, lembrando que o prejuízo inicial foi sustentado pela Unimed, mas depois todo o investimento foi pago.
O Diretor Administrativo revelou também que na atualidade as atenções estão voltadas para que a qualidade nas operações e no atendimento seja mantida. "Hoje, existe grande preocupação em relação à legislação, se ela está boa ou está ruim, e como nós temos de atuar junto ao Banco Central para pleitear alterações de normas para todo o sistema cooperativo de crédito. Existe um cuidado especial também com a questão operacional e é por isso que estamos mudando a sede. Nós inovaremos, surpreendendo a todos com o modo Unicred de atendimento. O que hoje já é elogiado vai melhorar muito".
Para Rui Coelho, a Unicred atingiu seu objetivo rapidamente. Algo que chegou a surpreendê-lo. "Imaginávamos estar construindo um processo que teria muito sucesso, mas não com a rapidez que aconteceu. Saímos de um início com cerca de 20 mil reais, e hoje a cooperativa tem 100 milhões de ativos". Rui Coelho crê que tal resultado não é comum. "Poucas empresas saltam de um patrimônio inicial desse porte para um ativo de 100 milhões em 13 anos. Isso nos causa surpresa".
Apesar da satisfação com o crescimento da Unicred, o Diretor Financeiro sempre acreditou que a cooperativa chegaria a um patamar de destaque. "Havia plena convicção de que a Unicred seria um projeto que teria sucesso. Bem administrado e com honestidade, uma instituição financeira tem que ir para frente. O que atrapalha é a má administração, ou seja, pensar mais na parte política do que na parte técnica, ou então a desonestidade. Como vi que tudo foi calçado por pessoas com caráter muito forte, não tinha dúvida nenhuma do sucesso que a cooperativa está alcançando hoje".
Perspectiva
Vivendo um momento de comprovado crescimento, é de se esperar que a Unicred Metropolitana siga a passos largos rumo a um futuro brilhante, cheio de grandes realizações. Para que isso deixe a teoria e se torne prática, as ações já estão sendo desenvolvidas.
"Devemos buscar, essencialmente, que a cooperativa no futuro continue a ter a direção que ela teve até hoje. A credibilidade e a transparência que a Unicred mostra é um projeto que não pode deixar de se realizar. Tem de ser assim para funcionar", afirma o Diretor Presidente Antonio Fernandes Ventura.
Ventura em conjunto com toda a diretoria, já sabe muito bem quais as próximas medidas a serem tomadas no sentido de continuar trilhando o caminho do sucesso. "Achamos que vai haver um aumento do número de cooperados, algo que acontecerá naturalmente. Com os postos de Cubatão, Guarujá, São Vicente, Praia Grande, Peruíbe e Unimed de Santos, estamos cada vez mais perto do cooperado. Podemos citar ainda a tecnologia que está propiciando tudo isso, como no caso das máquinas de auto-atendimento, iguais a que temos hoje em frente à Santa Casa, no Posto Portal de Santos na Unimed de Santos. Em nosso projeto, esse tipo de máquina tem que constar em cada hospital, nos shoppings da cidade e em lugares estratégicos, para que o cooperado não precise se dirigir até a área física da cooperativa para ser atendido. Basicamente, para os próximos anos, o projeto é a ampliação no atendimento", adianta Antonio Fernandes Ventura.
Para dizer como vai ser o futuro é preciso olhar a trajetória da Unicred e para isso é preciso olhar o passado, daí pode-se traçar uma linha e imaginar o futuro, esse é o pensamento de Bruno Antonini, Diretor Administrativo. "Muita coisa pode acontecer, mas vejo que o sistema financeiro deve passar por um período de aperto, com a questão da redução das taxas de juros, o que é bom para o País. Até porque o objetivo da cooperativa não é dar lucro, mas sim tornar a vida do cooperado melhor, inclusive do ponto de vista financeiro. Os bancos já entraram por um lado diferente, que é o de cobrança de tarifas e nós não fazemos isso, já prevendo uma redução nas taxas de juros. Não cobramos nenhuma tarifa e a nossa idéia, é continuar assim", revela Bruno Antonini.
Para o Diretor Financeiro da cooperativa, Rui Coelho Pereira, o investimento que tem sido feito, atualmente, para a melhoria da Unicred é a certeza de que os próximos anos serão tão brilhantes quanto estes 13 primeiros. "Acredito que o que está acontecendo com a Unicred vai nos tornar em pouco tempo, dentro de Santos, a instituição financeira de maior potencial. Se for considerado o movimento da nossa agência, já estamos na condição de uma das maiores da cidade".
Rui Coelho Pereira aproveita também para fazer um alerta: quem ainda não se cooperou à Unicred está deixando de valorizar o próprio patrimônio. "O profissional de saúde não é mais aquele indivíduo alienado do mundo financeiro, está aprendendo a fazer contas por necessidade, e quem sabe fazer contas não vai para outra instituição financeira que não seja a Unicred. A entrada destes profissionais, em massa, na Unicred, é inexorável".
O Diretor Financeiro termina mostrando uma visão bastante otimista do futuro. "A preocupação maior é nos prepararmos para o crescimento, do que ter dúvida sobre ele. Hoje, pensamos sempre seis meses, um ano na frente. O grande mérito dessa diretoria é não esperar pelo que vai acontecer e por esse motivo é que estamos na atual sede no primeiro andar e com uma nova agência
Homenagem
A importância de Luiz Carlos Mattar
Se não fosse pela presença do gerente Luiz Carlos Mattar no início das atividades da Unicred do Litoral Paulista, talvez os resultados da cooperativa não tivessem sido os mesmos, mas antes de chegar à Unicred, ele passou por grandes instituições, adquirindo muita experiência no mercado financeiro e construindo uma história cheia de realizações.
Luiz Carlos Mattar, que nasceu no dia 8 de setembro de 1944, na cidade de Ituverava, no interior de São Paulo, ingressou no Banco do Estado de São Paulo em 1964 mediante concurso público, iniciando carreira na agência de sua terra natal. Quatro anos depois, casou-se com Magaly de Oliveira Campos Mattar e desta união nasceram Victor Emmanuel M. Mattar Neto e Luiz Gustavo Mattar.
Bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Uberaba, Minas Gerais, em dezembro de 1968 e após promoção em 1969, transferiu-se para a agência Lapa da capital, onde exerceu suas atividades até 1971, quando foi designado para chefia do posto de atendimento na Cosipa,
"Tivemos a enorme felicidade de escolher um gerente do porte do Luiz Carlos Mattar, que nos foi apresentado por um outro cooperado colega nosso, o Dr. Ismar. Ele veio conosco e mostrou a experiência que tinha na área. Com a orientação dele nós começamos a estruturar a empresa no sentido de começar a desenvolver as operações próprias de uma entidade financeira", afirma Antonio Fernandes Ventura.
"Nós conseguimos chegar onde estamos pelo trabalho do Luiz Carlos, que era a única pessoa, no começo, com experiência. Sem o Luiz Carlos, a história teria sido outra", completa Bruno Antonini.
"Logo percebemos que precisaríamos de um pessoal técnico de altíssima qualidade, nesse sentido o Luiz Carlos Mattar foi o grande idealizador intelectual da Unicred porque eu, o Ventura e o Bruno somos os pioneiros políticos, mas o substrato técnico, os alicerces dessa cooperativa, deve-se a essa figura fenomenal que era o Luiz Carlos Mattar", completa Rui Coelho Pereira.
Luiz Carlos Mattar faleceu no dia 15 de junho de 2004, em Uberlândia, vítima de câncer.
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